
Detrás da máscara não viu o sorriso.
Era Carnaval, a liberdade trançava as pernas, bêbada, pelas ruas cobertas de confete e serpentina.
Dançaram até o dia arrebentar em cores.
Ele pensava na singularidade da vida. A parceira era um bloco só de mutismo.
Nenhuma palavra até tudo se acabar na quarta-feira.
A fantasia de pirata dele já se esfacelara.
A da parceira era um deslumbre de incoerências, alguma coisa como Deusa Egipcíaca da Beleza na Crepuscular Selva Amazônica.
Tomaram o táxi em silêncio, varrendo os pneus o lixo e o odor de mijo e esperma das ruas.
No quarto do motel tiraram as máscaras.
Ela era Hermenevaldo, transexual.
Pouco importa, disse ele. Era tarde, estava apaixonado.
Viveram felizes até o amanhecer seguinte.