quinta-feira, 1 de abril de 2010

MAIS NOVIDADES!!

Muito bem, meus amigos... Novidades sobre o divulgamento do livro! No dia 8 de Abril, na rádio Cultura, haverá uma entrevista no programa "Jornal da Manhã", com os
autores Alfredo Garcia- Bragança e H.G. Neto. Sintonizem suas rádios na frequência
93,7 MHZ para ouvir-nos falar sobre nossa obra, EPIFANIAS, o processo de escrita,e o que ocorrer!
No dia 9, na Tv RBA, haverá outra entrevista, no programa " Em sua companhia" , às 7:30 da manhã. Liguem suas tvs no canal 13, e assistam a entrevista!
É só isso, por enquanto, meus caros. Manteham-se antenados neste blog, e rumo ao
grande lançamento!

H.G. Neto

terça-feira, 30 de março de 2010

RETORNO ÀS POSTAGENS

Olá Caríssimos!! Bem vindo de volta ao Blog epifanias!

Aparentemente, a última postagem aqui foi há muito, muito tempo... Mas isso será corrigido ao passar dos dias. Com o lançamento do aguardado livro EPIFANIAS cada vez mais próximo ( dia 10 de Abril, à partir da 17 horas, no Sesc da doca! NÃO PERCAM!!), encheremos este blog com notícias sobre a obra, críticas, e até mesmo sugestões de músicas, filmes e outros livros para entrar no clima de leitura de cabeça!

Para esquentar, fiquem com o release do lançamento. Vejo vocês em breve!


H.G. Neto



PARCERIA INÉDITA REÚNE PAI E FILHO EM LIVRO DE CONTOS

Com 24 anos de experiência na atividade literária, o escritor Alfredo Garcia-Bragança encara uma parceria inédita ao lançar seu 18º livro. Em “Epifanias” (Contos, Paka-Tatu, 2009) o companheiro de aventuras literárias é ninguém menos que seu filho Alfredo Garcia Neto, literariamente H.G. Neto, 22 anos, autor de nove narrativas que compõem o livro. “Esta é uma iniciativa balizada pelo ineditismo, até porque nunca na Literatura da região, ao que se saiba, foi publicado um livro reunindo pai e filho que escrevem no mesmo gênero, no caso o conto”, argumenta Garcia.
Tendo 17 livros anteriores publicados, sendo alguns por editoras como Lê (MG) e Paulinas (SP), premiações diversas (“O Livro de Eros” foi premiado pela Academia Mineira de Letras como o Melhor Livro de Contos do biênio 1999-2000), Alfredo encara com naturalidade esse novo “filhote” literário que chega, diferente de H.G.Neto, que lança sua primeira obra. “Para mim é uma continuidade natural de um trabalho que desenvolvo; para o Neto é uma grande novidade, uma oportunidade de mostrar seu talento e, mesmo que como pai eu seja suspeito para dizer isso, ele é muito bom contista”, afirma Garcia sem esconder o orgulho paterno.
O parceiro de Alfredo Garcia-Bragança em “Epifanias”, H.G. Neto, embora com pouca experiência na Literatura, já publicou em antologias. Em 2000, aos 13 anos, participou do livro “Minha Visão do Terceiro Milênio” e, em 2008, de “Cidade Velha, Cidade Viva”. É bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal do Pará e se especializa em Arqueologia pela mesma instituição.
O lançamento de “Epifanias” será no dia 10 de abril, a partir das 17 horas, dentro da programação do II Jirau da Literatura Paraense no Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523).
CONTATOS:
Alfredo Garcia – 4009-8746 (manhã), 3263-0011 (tarde) e 9112-1112 (o dia todo).
H.G. Neto – 3263-0011 (manhã) e 8447-9429 (recados).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

As Epifanias de um jovem escritor

Por Helder Bentes 04/05/2009 às 15h17 - http://www.orm.com.br/helderbentes/)

A palavra Epifania vem do latim epiphania e do grego epipháneia. Significa aparição ou manifestação divina. Pluralizada, a palavra nomeia o livro de contos do paraense Alfredo Garcia, escrito em parceria com seu filho H. G. Neto e que será lançado no segundo semestre deste ano, durante a Feira Pan-Amazônica do Livro, com o selo da também paraense Editora Paka-Tatu e prefácio de nada mais nada menos que Doutor Joel Cardoso, um dos maiores nomes do ensino da Literatura neste país.
Para fazer jus às Epifanias que o título da obra sugere, quero comentar e reproduzir um dos contos de H. G. Neto. Um conto dividido em partes que justificam o título '3 Extremos'.
Um personagem que, ao voltar do trabalho, assusta-se com uma possibilidade que, no mundo real, permeado por circunstâncias ordinárias, não assombra nem apavora. A narrativa vale pelo devir de uma surpresa que testa as expectativas do leitor. O caminho traçado por H. G. Neto daria muito trabalho ao pesquisador que se lançasse à aventura de desvendar os passos da imaginação de um leitor, na tentativa de preencher concretamente as lacunas deixadas ao longo do texto.
O outro extremo são as variáveis de enredo para três personagens: Tonho, Suzana e Carlos. Uma ampliação das possibilidades ficcionais, uma proposta de reflexão sobre as origens da literatura de ficção, um desafio às especulações possíveis entre as zonas limítrofes que separam a ficção da realidade.
Quando li esta 2ª história de 3 Extremos, pensei que esse limite pudesse ser a linguagem. Mas fui vencido por 'a mãe do menino parou de falar' e me lembrei de que o silêncio também é linguagem e, neste caso, fora o responsável pelos finais felizes das histórias inventadas. Lembrei-me também da profecia de Fernando Pessoa que agora se concretiza na carreira incipiente de H. G. Neto: 'O poeta [...] finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente'.
Talvez - eu disse TALVEZ - o cobertor azul desbotado da 3ª história seja o símbolo da infância perdida da personagem (E quem pode negar que uma infância perdida não seja uma dor real?) disfarçada na lembrança sugestiva do desenho do Pica-Pau.
Depois de ler este conto, não tive dúvidas de que seria um furo de crítica literária dedicar este post de 1º de maio a um autor que tem tudo para viver das letras, se outros trabalhadores (como nós) ensinarem seus filhos a apreciarem a boa leitura. Mas o que é boa leitura? Bem... Leiamos as histórias de 3 Extremos e o conceito de boa leitura fica para depois:

3 EXTREMOS

1. Ele chegou do trabalho debaixo de uma forte chuva, ensopado. Abriu a porta e chamou pela mulher. Estranhou ela não vir atendê-lo, mas aí lembrou-se: ela estava na cama, impossibilitada de fazer qualquer coisa. Foi para a cozinha servir-se de um drinque.
Estava bebericando um martini quando ouviu o ranger no andar de cima da casa. Aterrorizou-se: Mas como? A mulher estava na cama! A não ser que... A simples idéia o enchia de pavor. Esbaforido, largou o copo às pressas, deixando-o se estilhaçar no chão. Subiu correndo as escadas e chegou ofegante ao quarto onde estava sua mulher. Tremendo, ligou a luz e relaxou. Que susto tivera! Mas estava tudo bem: A mulher ainda estava morta na cama, o sangue agora já seco nos lençóis. Calmamente, o homem tirou a roupa ensopada e deitou-se ao lado da esposa.
2. “Tonho era um príncipe encantado que um dia conheceu Suzana, a princesa aprisionada no castelo do malvado barão Carlos. Depois de uma luta feroz, Tonho resgatou a princesa, e o Barão se arrependeu, e todos viveram felizes para sempre.”
Ou:
“Tonho era um espião que se apaixonou pela bela Suzana, uma garota em perigo nas garras do perigoso Carlos. Após muitas aventuras e perigos, Tonho salva Suzana e perdoa Carlos, arrependido dos crimes.”
Ou então:
“Tonho, garoto pobre, apaixona-se por Suzana, a filha do milionário Carlos, que o detesta. Após muitos desencontros, Tonho conquista o coração de Suzana e a confiança de Carlos.”
Essa última é a favorita do menino, mas ele gosta de todas, menos de uma que os adultos contam, em que o Seu Carlos, aquele senhor gordinho e risonho, mata o Tonho (o irmão do menino) e Suzana (filha do Seu Carlos), que chegavam de mansinho à casa dela. Tão de mansinho que seu Carlos pensou que fossem assaltantes e atirou.
Não. Dessa história o menino não gosta. Só gosta de histórias sem morte. Por isso, desde aquele dia em que a mãe do menino parou de falar, ele cria histórias com Seu Carlos, Tonho e Suzana. Todas elas com finais felizes.
3. Enquanto o padrasto entrava lentamente em seu quarto, a menina sentiu aquela coisa ruim que sempre sentia naqueles momentos. Teve, como sempre, vontade de chamar a mãe (ela estava bêbada), de gritar (ele bateria nela), de chorar (pra quê ?). Por fim, decidiu-se, como sempre, enquanto mãos grandes e sebosas retiravam seu cobertor azul desbotado: começou a lembrar-se de um desenho do Pica-Pau que vira pela manhã.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

PLIMPLIM! COMERCIAL POPULIVROS...


Este livro é o terceiro de uma trilogia que vem sendo construída pelo autor desde 1995 com Memórias do Quintal (Paka-Tatu, 2ª edição, 2002), somando-se em 1999 a Contos do Amor em Flor (Paulinas 2ª edição, 2006), conjuntos de narrativas nas quais o autor mapeia com sensibilidade este mundo sem fim que é o das vivências de meninos & meninas, com seus medos e assombros, suas pequenas felicidades cotidianas, suas revelações e ocultamentos.
O autor dá continuidade a uma arqueologia sentimental que vai buscar no seu país mítico da infância a fonte de muitas histórias, autobiográficas ou não. Basta ler L’amour c’est comme un jour, Menino diante da morte, Alumbramento, Caro Primo e Quixote para constatar a beleza dos textos narrados por Alfredo Garcia-Bragança, escritor que o grande contista paraense Ildefonso Guimarães disse ser “capaz de gerar emoções estéticas só com a mágica tessitura das palavras”.


O LIVRO PODE SER ADQUIRIDO DIRETO COM O AUTOR POR R$ 15 PELO TELEFONE 3263-2342 E 8827-1993.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO

Ela olhou, ele sorriu.
O ônibus rompeu o idílio momentâneo passando entre eles.
Era a mulher mais linda do mundo: dentes brancos e perfilados como em anúncio de pasta bucal, olhos azuis, nariz grego, cabelos anelados e ruivos, um corpo de deusa.

O resto da vida ele passou cultivando a lembrança daquela visão tão bela e efêmera.

POR TODA A SUA VIDA

Esperava o Grande Amor.
Por toda a sua vida se prepararia para tal espera.
Ele viria, ela conjeturava. Ia demorar, dizia, enquanto olhava a cidade preguiçosa no sábado, casarões esparramados pelas ruas pequenas que iam dar no rio.
Muito tempo se passou, o rio correndo célere, sem que o Grande Amor viesse. Casarões já haviam desabado, amigos e parentes morrido. Ela esperava.

Um dia, coração em descompasso, sentiu que era ele, o seu Grande Amor, que subia a rua, o toc-toc dos sapatos nos paralelepípedos. Mais que depressa se pôs à janela.
Por lá ficou, hirta, traída pelo coração, frágil bibelô, que não suportara espera tão demasiada.

O EMPINADOR


Nas tardes quentes de julho era visto com linhas, cerol, latas pequenas, arsenal que carregava com ele pelo bairro.
Ágil, cortava qualquer adversário. Era o Rei do Firmamento, majestade das pipas, rabiolas, cangulas, papagaios.
Certa feita notou que os seus dedos iam se arredondando como... carretéis e as mãos ficando ásperas, qualquer contato dele com a pele de outrem era corte certo.

Um dia saiu para empinar no descampado. Só se ouviu o grito da molecada depois:
- Lá vai ele!
Era o próprio empinador subindo numa espiral ascendente rumo ao céu. Ia ao encontro das nuvens.
Agora sim, podiam dizer que ele era o Rei do Azul.